sábado, julho 23, 2011

MEMÓRIA

Memórias são estrelas.
Mantêm seu brilho,
mas não existem mais.
São meros fachos de luz.
Há muito deixaram de existir,
se é que alguma vez existiram.

Memórias são ilusões,
sonhos de um tempo improvável.
Muitas vezes, mais do que se quer,
são lembranças de um tempo futuro,
uma condição que nunca houve,
uma constelação que nunca existiu.

Se memórias são estrelas e ilusões,
constelações são projeções de olhos tolos,
fantasias inventadas para parecerem reais.

Minhas memórias são obscuras.
Mostram-me minha ingenuidade.
Mostram-se testemunho cruel,
predicação insistente do mal.

Livra-me, ó Deus, do que me consome!
Abre meus olhos,
me faz sábio como o tempo.
Não suporto mais ilusões!

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