sábado, julho 23, 2011

LETRAS

Volto às minhas letras,
pequenas gotas que destila minha alma em dor.
São elas límpidas, algumas doces, outras amargas,
mas são genuínas, e verdadeiras,
e nunca mentem.
(Mesmo que eu quisesse,
não mentiriam nunca.)
São um refúgio, um templo, um santuário.
São elas o altar
em que cada elemento é posto diante de Deus,
em que cada ato é santificado ou descartado,
em que as orações lhe são oferecidas,
em que me encontro com meu Pai.
Não te assustes com minhas letras.
Elas são o espelho de minha alma,
de minha alegria e minha dor,
de meu amor e minha angústia.
Mas quando elas existem,
eu existo, eu falo, eu grito, eu canto!
Minha voz não se cala quando eu destilo letras.
Quando silencio, estou doente.
Preocupa-te com isto:
se me calo,
estou me afogando,
sem que ninguém perceba,
nem eu mesmo.

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