sábado, outubro 02, 2010

DESPERTAR

Nasce o dia,
morre a noite.
Dormem as estrelas,
a lua,
nuvens de prata.
O dia ofusca,
aquece,
abrasa a pele,
queima meus olhos.
Não sabia o que me cercava:
um deserto morto.
Aves de rapina.
Eu, em minha ilusão,
julgava-me em um paraíso.
Ouvia águas onde só havia areia.
Em que tocava, sentia sedas,
onde havia somente cardos.
Tanto tempo,
em olhos fechados,
em sentidos sedados,
tanto tempo...
Queimam-me os olhos,
desacostumados ao dia.
Mal consigo abri-los,
mal permaneço em pé.
Hei de vencer o deserto,
hei de romper seus limites,
suas cadeias áridas e estéreis!
Não há vida em suas fronteiras,
somente parasitas.
O milagre já começou:
meus olhos se abriram,
minhas pernas já andam.
A morte chega ao fim,
e não a vida.
Acordei.

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