terça-feira, abril 20, 2010

ESPERA

Meu coração está cortado por mil espinhos,
que da minha negligência nasceram,
secos, magros, longos e mortais.
Minha alma se torna seca como árvore morta,
emacia-se como onagro exaurido de forças.
Minha dor não tem fim, pois renasce a cada dia,
e tortura-me, roubando-me o ar,
tornando-me a vida amarga,
como a esperança que nunca morre,
que nasce a cada dia irradiando vida,
viçosa, cheia, rica, bela, ampla e majestosa
e que chega ao fim do caminho de Apolo
exausta, engelhada, triste, pequena, humilhada,
como flor que secou antes de tocar os lábios
daquela que haveria de recebê-la com alegria.
Meu amor sangra, chora a ausência de sua musa.
Chora calado, escondido no escuro da noite,
na fria solidão das jornadas tardias.
Não fala, apenas chora, sabendo-se forte,
sabendo-se vivo, intenso, único, pleno,
mas sabendo-se rejeitado,
entregue ao frio da noite,
à solidão do deserto.
Para que existir, se existir é por nada?
Por que esperar, se a espera é vã?
Se assim fosse, o amor perder-se-ia,
mas ele confia no calor que irradia,
no poder que flui em seu sangue.
Daí nasce sua dor,
de sua teimosia,
de sua própria força.
Qua não seja vã,
a espera,
que não seja esquecida,
a perseverança.

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