terça-feira, abril 20, 2010

DECLARAÇÃO DE AMOR

Tu és uma realidade nunca antes imaginada,
Mas tantas vezes sonhada em noites sem lua,
Um sonho impossível que se tornou verdade,
Bela musa de meus cantos solitários.

Tu te aproximaste exuberante, viva e bela,
Cativaste meus olhos com teus olhos verdes,
Tornou-me um titã, apto a lutar com deuses,
Tornou-me rico como nenhum homem jamais foi.

Mas a vida e os dias e as estações cobram seu preço,
Trazendo a poeira e a ferrugem, cinza e fuligem,
Tornando negra a alva manhã, cegando os olhos,
Sufocando os cantos, ensurdecendo os ouvidos.

Meu coração acordou pequeno na fria madrugada,
Sozinho que estava, depois de adormecer nu.
Procurei por ti, restava apenas teu calor nos lençóis,
E as lágrimas que derramaste ainda os molhavam.

Vivo, desde então, perdido, vagando às ruas sem rumo,
Procurando teus passos, teu perfume, teu calor e teu riso.
O dia se tornou noite, e noite se tornou esperança,
Nunca vã, de que breve te acharei em meus sonhos.

Desde então, sumiu minha sanidade, minha alegria.
Sorrisos? Somente na memória de tua doce voz...
Esperança? Somente no brilho de teus olhos no mar...
Vida? Somente onde ainda resta teu calor em minh’alma...

Desde então, cada piscar de olhos é expectativa,
Viva, feliz, de vê-la mais uma vez a encantar-me,
De acariciar mais uma vez tua face em ternura,
De beijar-te mais uma vez com lábios em fogo.

Aguardo cada raio de Sol como aquele que te trarás,
Exuberante, linda, em ricos e santos adornos,
Noiva minha, perpétua musa, adorada diva,
Para que me desperte com teu quente e suave beijo.

Espero cada grão de areia como o último,
Deste tempo de tormento de minha rota alma,
Do tempo que contemplo o horizonte longínquo,
E que aguardo ansioso teu derradeiro amanhecer.

Leva-me ao teu leito, despe-me de minhas vestes,
Agora, que viste meu amor, minha lealdade,
Que viste todos os caminhos que andei por ti.
Agora, que sou pleno, e teu, ne me quitte pás.

As lágrimas que derramares, por mim, doravante,
Serão doces, felizes, profusas, abundantes.
Guardarás uma a uma em odres adornados,
Pois serão todas alegria, e jamais, em qualquer tempo, em dor.

Até que eu pereça, todas as tuas lágrimas guardarei,
Para que nunca me esqueça do intenso e pleno amor,
Infinito, imensurável, insaciável e ardente amor,
Que minha alma, em leal vigília, somente a ti ofertou...

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