terça-feira, abril 20, 2010

D O R

Só, penso:
O que faço?
Para onde vou?
O que quero?
Perdido estou?
Quem perdido está,
perdido continuará,
até que veja o Sol,
e nele construa seu rumo.
O que sou neste mundo?
O que sou em outro?
Tempos e mundos coexistem,
e eu coexisto em ambos.
Quero integrar-me em ambos,
tempos e espaços,
compreender-me em diferentes
tempos e espaços.
Fendido aparento estar,
mas me sei único, uno, indiviso.
Unidade na multiplicidade dimensional.
Chego a conhecer a natureza,
com a abnegação da criança.
Posso andar por céus, infernos
e purgatórios,
e ainda assim ser uno.
Quero conhecer as almas do mundo,
entender o amor que as une,
a dor da distância,
a dor da ausência,
a dor da perda.
Quero conhecer os limites do desejo,
aguilhão maior da vida humana,
mistério da liberdade,
mistério do desespero.
Somente sinto a dor.
Permanece sobre mim como manto.
Não vejo seu fim.

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