segunda-feira, julho 13, 2009

Caminho da Liberdade

Como Sol que brilha esplêndido sob campos de trigo,
Como Lua que reluz em águas rasas de regatos virgens,
lume a luz de tua alma sobre todo o meu ser,
aquecendo-me, consolidando-me e vivificando-me.

Não foram poucos os dias em que jazi inerte,
sepultado em vida numa sepultura de vidro,
aguardando ansioso pela mão que me guiaria,
que me levaria para fora de minha tumba eterna.

Próximo de meu derradeiro suspiro de vida,
antes que se exaurisse todo o meu ser em vão,
teu vulto se fez majestoso diante de mim,
e tua voz se fez intensa e doce em meus ouvidos.

"Vem, levanta-te, sai de tua sepultura rasa,
abandona a morte que te foi companheira,
por tantos anos, por tanto tempo, tanta dor!
"Vem, que o primeiro de teus dias começa agora!"

Grilhões escorregaram de meus pulsos magros,
e me faltaram forças para me colocar em pé.
Até que rompi em fúria contra as paredes de vidro,
até que a força de minha ira tudo reduziu a pó.

Eis-me reluzente e novo, diante de teu corpo nu
e resplandecente, carente de mim e de meu amor.
Eis-me redivivo, refeito pelo teu olhar e por tua voz,
mas ferido pelos cacos do mundo inteiro que destruí.

Faze-me teu, perpetuamente teu, dia e noite!
Afaga-me em teus seios, adormece-me em tuas mãos,
Sara minhas tantas feridas, marcas de minhas torpes guerras,
Cura meus olhos secos, exaustos de tanto clamar por ti.

Sou um guerreiro que foi aprisionado pelas trevas.
Sou um sobrevivente dos campos de peste negra.
Agora te tomo em meus braços para seres mulher,
musa derradeira, inspiração de todos os meus poemas.

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