segunda-feira, julho 13, 2009

Alma

Eu tenho lágrimas nos olhos.
Cada uma é lembrança que me dói,
uma dor que me fere.
Mas tenho outras lágrimas,
que não são de dor.
São do puro e amor intenso no coração,
que alegra e exalta minha vida,
que refaz meu espírito,
que renasce minha alma.
Eu tenho espinhos nos pés,
espinhos fincados nas mãos.
Cada um foi ali colocado
por alguém que amei,
ou por alguém que confiei.
Mas tenho também a cura diante dos olhos,
minha musa que pensa e sara minhas dores,
que por milagre faz cessar o sangue,
que por amor enxuga minhas lágrimas,
e que por natureza completa minha alma.
Eu nasci fora de meu tempo,
sou um homem póstumo,
que não tem olhos feitos para ver o mal,
que não tem pés para pisar em cabeças,
que não tem mãos para derramar sangue.
Tenho as cicatrizes desses dias no meu peito,
nas marcas de sangue deixadas pelo chão,
nas pegadas, nas paredes, nas minhas roupas,
nos sulcos que o tempo riscou em meus olhos.
Agora, serei eterna canção de vida e amor,
pacto de sangue, pacto de paixão.
Serei apenas aquele que te canta,
aquele que te encanta,
para eterno deleite de nossa alma.

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