domingo, maio 17, 2009

O Fogo

Há um fogo ardendo diante de meus olhos.
Seu calor me aquece, mas sua chama não me queima.
Apenas aquece.
Meus pés estão descalços.
Muitos, ao meu lado, também se aquecem,
mas alguns se esquecem do calor da chama,
e se encantam com a dança da chama,
e sublimam-se como as fagulhas da fogueira;
tornam-se bonecos refinados, superfinas e puras fagulhas.
Outros adormecem ao calor da chama, e, por fim, deitam-se sobre o solo, esquecendo-se de que o lugar é sagrado.
Há, ainda, os que, também encantados com o bruxuleio do lume,
não veem que o que queima é algo maior do que a própria chama, e se curvam diante de seu brilho.
Mas há, diante e avante meus olhos, os que percebem que a luz da chama ilumina o mundo inteiro,
e que é seu calor o que aquece os corações dos homens.
Estes, os que veem a luz, podem ver o caminho em que pisam, a altura dos montes e a profundidade dos vales;
podem ver as estrelas da noite e o brilho do sol que se aproxima no horizonte;
podem encontrar os que estão distantes do calor e da luz, e ajudá-los a escapar do frio e do medo em que vivem.
Continuarei a olhar para o horizonte, perseguindo o calor e o lume da chama,
para que meus passos sejam singelos e cândidos,
e para que meus pés permaneçam limpos sobre o solo sagrado em que pisam.

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