domingo, maio 17, 2009

Gelo Fino

Gelo Fino

Minha sanidade é uma fina camada de gelo,
estendida sobre um vasto e profundo lago.
Tornei-me um ébrio, ou louco pelas metades,
insano de cansaço,
perdido no passado de cemitérios.
Fujam todos, deixem-me só!
Esqueçam-se de mim, de meu luto, de meu choro!
Minha insanidade é obscura, vaga, densa.
Nela habitam monstros terríveis,
caçadores dos que se atrevem a pisá-la.
Não serei tragado pelo negrume do lago.
Não serei retido pela crosta de piche,
o luto perpétuo deste lago negro.
Ainda que para dele sair,
tenha de romper com minha sanidade.
Felizes os loucos, que de tudo riem!
Felizes os apaixonados, que choram suas ausências
e aguardam alegres os minutos que têm!
Saído da prisão das águas,
tornar-me-ei o renascido avatar,
o que tem o poder de vida e morte,
que carrega o início e o fim em suas mãos.
Prometeu desacorrentado, vingador dos homens,
ainda há de retribuir a Zeus todas as dores que lhes trouxe!

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