sexta-feira, abril 25, 2008

Ronin

Minha morte vive em mim.
Seu hálito é meu ar,
Seu rubror meu caminho.
Minha morte me acompanha.
Encontro-a ao levantar e ao deitar.
Beijo-a ao saudar o sol nascente.
Deito-me em seus braços ao fim do dia.
Aguardo o momento de a ela unir-me,
na perpetuidade de seu abraço eterno.
Sua negra sombra cobrirá minha alma,
dará descanso aos meus olhos cansados,
gravará meu nome em negro basalto,
em rochas eternas cuja beleza o tempo realça.
Minha morte alimenta minha alma.
Transforma os caminhos áridos em ruas de ouro,
as feridas que recebi em batalhas, em medalhas,
as bandagens que ostento, em nobres vestes.
Minha morte é minha glória.
Benvinda seja minha derradeira senhora,
minha perpétua companheira,
minha eterna musa.

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