sexta-feira, março 21, 2008

Outro Retorno

O tempo passa,

o vento atrapalha meus cabelos.

Vejo pedaços de mim caindo,

arrancados pelo vento.

Veloz flui o tempo.

Muito mais do que eu,

fincado com minhas raízes no passado.

Sou arrastado pela corrente,

sem descanso.

Poderia eu parar o tempo,

fazer cessar a tensão?

Sou muito pequeno para isso,

não posso lutar contra titãs.

Resta-me aguardar meu vingador,

aquele que há de fazer cessar toda pressa,

que há de cobrar todo sangue derramado,

que há de enxugar toda lágrima.

Anseio o fim destes dias,

ilusão de prosperidade,

castelos de brumas e miragens.

Minha alma clama por paz,

por descanso ao lado dos meus amados,

de meus pais, minhas mães,

de meus filhos, grandes e pequenos,

de minha amada,

companheira derradeira de todos os dias,

de todas as horas,

de todas as dores,

de tantos amores.

Carrego comigo meus sonhos,

e por eles sou levado.

Acariciam-me o vento, o tempo e as mãos dos que me amam,

tornando a espera menos árida.

Volto no tempo,

recolhendo no caminho

pedaços que caíram de mim,

especialmente de meu coração.

Alegro-me em encontrar alguns,

mas sei que alguns se foram sem volta,

devorados por bestas humanas,

seres vis condenados ao fogo.

Alegro-me no reencontro com meus dias perdidos,

e não temo o futuro.

Sei que boas mãos me guaram,

e me guardarão enquanto puro for meu coração.

Lembra-te de mim, ó meu Pai...

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