sexta-feira, março 21, 2008

Cada dia...

Cada dia que passa fico eu mais perdido.

Afinal, quem sou eu para que tenha qualquer destino?

Cada dia que passa tenho eu menos mundo.

Afinal, quem sou eu para que tenha qualquer lugar?

Meu destino nada tem a ver com meus poderes.

Minhas forças não são desde mundo,

não servem para este mundo,

mundo cão, mundo cão.

Cada dia que passa é menor meu fôlego.

Afinal, quem sou eu para que tenha qualquer vida?

O sonho de cada dia não existe mais,

nem mesmo o pesadelo.

O dormir tornou-se um desligar-se,

uma viagem a um breu esclerosado.

Cada dia que passa mais escuro se torna meu céu.

Afinal, quem sou eu para que brilhe qualquer sol sobre mim?

Nuvens de chuva têm um propósito:

o de esconder o azul e de lembrar sua ausência.

O cinza das brumas carrega vidas suspensas em seu bojo.

Carrega as águas que renovarão o solo,

que trarão vida à terra sedenta,

Cada dia que passa mais seca se torna minha alma.

Afinal, quem sou eu que importe mais do que um pardal.

As almas sofrem as dores do tempo,

mas seus olhos estão sempre fixos nos céus,

aguardando chuva e renovação.

Não sofrem a dor da espera,

apenas a dor do calor.

Espero a chuva,

que há de renovar minha alma.

Espero o azul do céu,

que há de iluminar minha esperança.

Espero o vento,

que há de encher de ar meus pulmões

Espero a terra,

o lugar em que hei de fincar minhas raízes.

Espero a firmeza do norte,

para onde hei de mirar e de onde conhecerei a verdade.

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