sexta-feira, março 21, 2008

Aurora

Uma nova aurora nasce em meu céu,

aquecendo novamente meu corpo.

Uma estrela distante volta a brilhar,

ressucitando o vigor de um tempo eterno,

cuja memória não morre nunca.

A musa voltou, a primeira musa voltou!

Irradia de sua alma os primeiros raios do sol,

trazendo sua luz ao meu céu de tempestade.

Mas o que pode a luz da estrela contra a tormenta?

Meu céu é de tempestade,

sou um mar tormentoso,

em que nada navega,

em que ninguém sobrevive.

Sou um solo inabitável, um solo inaceitável

que desistiu de conter vida.

Tua luz, aurora, não mais pode tocar-me;

estou distante demais, obscuro demais, negro demais.

As nuvens de meus dias têm a cor da morte,

meu sol transformou-se em escuridão

e minha lua em sangue.

Quisera eu poder refletir teu brilho, bela aurora,

quisera eu cantar tuas virtudes, primeira musa.

Quem sabe, se minhas fúrias exaurirem sua violência,

se o oceano quebrar todos os meus rochedos com a força de suas ondas,

se todos os relâmpagos ferirem meu solo e conferirem-me seu poder,

se caírem todas as águas contidas em minhas negras nuvens de tempestade,

quem sabe assim eu poderei ver tua luz!

É essa esperança que me dá alento para continuar a existir,

que me dá ânimo para suportar tudo com pétrea coragem.

Fiat lux, fiat solis, fiat homo.

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