sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Piratas

Piratas

O que é que eu vejo?
Jóias jogadas às ruas,
jangadas num mar bravio?
Virtudes perdidas,
naus sem rumo,
sem nunca acharem porto?
Vejo sonhos que andam,
silêncios cujas vozes clamam,
sem ouvidos que lhes ouçam.
O que é que eu vejo?
Vejo sonhos que já se perderam,
caminhos que já não se encontram.
Vejo dores por nascer,
gentes que não se sabem mais
(se é que um dia se souberam).
Ai, ais, muitos ais,
escondidos num lugar escuro.
Ninguém escuta,
nem escutará jamais,
o grito de quem não fala,
de quem não tem voz,
(se é que um dia teve).
Vou me esquecer do que vi,
mas jamais do que não vi:
a mãe sorrindo sem medo,
a criança brincando sem chorar,
e meu sonho, cançado,
a esperar, esperar, esperar...

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