sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Pela Justiça!

Não há mais remédio
quando não há mais cura.
Cresce a dor como câncer,
como monstro imortal,
devorador implacável
de minha alma cansada.
Ardem-me olhos, coração, pés.
Ardem o céu, a carne, o chão
Não há alívio, não há descanso.
A vida se transformou em maldição,
crescente de espera e angústia,
pulsante fluxo de lágrimas.
Felizes são os que dormem e sonham.
Quanto a mim, vivo desperto em pesadelo,
perpétuo pesadelo,
infestado de monstros e demônios,
de fantasmas e almas condenadas,
cheio de uivos e lamentos,
perpétuo pesadelo.
Olho o horizonte,
deitado em fogos e fumos.
Anunciam o juízo derradeiro,
o fim de todo o Mal.
Findará o pesadelo,
findará a ilusão do iníquo,
as brumas de um poder que nunca existiu?
Viverei para ver seu sangue sujar o pó da Terra,
para assistir sua decepção e suas lágrimas,
em lugar de seu riso e gozo,
a frustração de seus planos,
em lugar de sua crua opressão,
o terror de ser esmagado?
Vingança! Quero vingança!
A Terra clama por vingança!
Abram-se os céus e desçam as iras do Altíssimo!
Rasgue-se a Terra e sejam engolidos os ímpios!
Que venha o dia da Justiça!

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