sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Mãos

Que toque é esse,
que me acaricia o rosto,
que me aquece o coração,
mas sussurra que vai embora?
Fica - digo-lhe - não me deixe!
Espera até que brilhe o sol,
que se dissipem as nuvens,
e se desfaçam as trevas.
Tenho medo do escuro,
de não ter alguém
que me dê a mão,
que me diga "estou aqui; não tema".
Tenho mãos,
tenho muitas mãos.
Mãos pequenas,
delicadas,
de pele frágil.
Mãos jovens,
cheias de vida,
com toques de jambo.
Mãos maduras,
já com seus calos,
mas firmes, constantes,
com quem posso contar,
e de quem sei:
nunca me abandonarão.
Mãos sábias,
tão calejadas,
e tão especiais,
e de quem sei:
nunca estarão longe de mim.
Mas tenho também mãos que não existem mais.
Eram mãos frágeis, delicadas,
que existiram enquanto puderam.
São todas essas mãos que me seguram,
e me seguraram até agora.
Sou-lhes grato,
nem posso medir o quanto.
Que meu medo de perdê-las
ceda à honra que tive em tê-las.
Seja eu para elas,
e elas em mim...

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