sexta-feira, fevereiro 17, 2006

JK, Belo Horizonte

Só estou.
Só sou.
Só serei sempre?
Irão algum dia perceber meu valor?
O que sou?
Será que sou?
E se sou, quem sou?
Um mero existente perdido,
zonzo em meio a amores e ódios,
sob uma história que não conheci
nem escolhi;
apenas acidentes.
Vejo os outros e suas moradas:
esconderijos, compartimentos.
Vi os cubos onde se escondem as mentiras,
onde se escondem os medos,
as vergonhas e as desvergonhas.
Vi uma luz verde.
Morada da esperança?
Uma isca?
Não sei.
Sei que JK é espelho do mundo,
intriga, inveja,
ícone e mirante,
templo do tudo e do nada,
do ser tudo e ser nada.
Sustentam-no frágeis mãos de três dedos.
Suportam o insustentável,
a desigualdade nivelada,
impossível engodo.
Tuas mãos de longos dedos ruirão,
deixarão apenas pó sobre pedra.
Talvez eu esteja embaixo das pedras e do pó,
e não venha a ser nada mais do que pó,
puro pó.
Sei: sou só isso:
pó pensante, pó e ar,
que há de ser espalhado pelo vento.
Estarei sob teus escombros,
tua escória,
pois me descubro escória.
Paciência.
Tudo passa.
Inclusive minha dor,
ou ela,
ou eu.

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