sábado, abril 09, 2005

Revolta

Rejeito o canto iniquo dos homens.
Ilusão malévola,
enganosa melodia
Importa-me somente as vozes dos que amo.
Mas parecem muito próximas, agora.
Repudio a superficialidade dos frios apertos de mão,
dos rápidos e distantes tapas nos ombros.
Coloquei-me à distância,
em busca do verdadeiro calor,
em busca do verdadeiro amor,
à luz da verdade,
ao som de vozes honestas.
Anseio pela liberdade.
Rejeito a mentira,
a hipocrisia humana de cada dia,
a vaidade rotineira,
a vacuidade das palavras ocas.
'Torna-te o que és', disse o sábio em desespero.
Mas quem sou eu?
Embora não me saiba completo,
sei o que não quero:
a superficialidade.
Não quero meu corpo coberto de fungos,
morada de parasitas e de moscas.
Rejeito as vestes brilhantes,
rejeito os mantos de nobreza,
ilusão de beleza e altissonância.
Não me impressiono mais com a altura dos espaldares,
com togas negras, rubras ou brancas.
A Verdade, sim, a Verdade!
Eis a luz,
eis a verdadeira riqueza!

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