domingo, fevereiro 06, 2005

Só...

Só.
Sozinho dentro de meu quarto.
Ninguém me vê.
Ninguém me conhece..
Ninguém sabe de mim.
Somente tu.
Mas te importas?
De fato, por que o farias?
De que te valho?
Sou um exilado,
apenas isso.
Longe da terra que me pertenceu,
não passo de um mendigo aleijado de mãos,
um rei desapropriado de coroa,
um sonhador que não consegue mais dormir.
Todas as coisas são agora distantes,
absolutamente distantes.
Apenas teus olhos me tocam,
terríveis e maravilhosos,
vingativos e amorosos.
Também as mãos de meus filhos,
mãos pequenas e macias,
doces, confortáveis,
que brincam com meus dedos e pés,
que florecem quando lhes sorrio,
que brilham quando lhes amo.
Mas eu sempre volto à minha dor,
ao meu exílio.
No canto do quarto tento me esconder,
mas não há como fugir de mim mesmo.
Permanecem teus olhos sobre mim,
impassíveis, mas ansiosos.
Cada um dos que passam por mim atira uma pedra,
umas maiores, outras menores,
umas redondas, outras afiadas.
Vou enlouquecer neste canto de quarto.
Perdi a chave, perdi a porta.
Perdi o rumo, perdi o prumo.
Ajuda-me, segundo tua paciência.
Mais ainda, segundo tua benevolência.
Que tu me tenhas compaixão.
Não quero a dos homens ou das máquinas,
mas a tua, a pura, a eterna,
a verdadeira compaixão.
Que tu me olhes,
Que tu não me varras para longe dos teus pés.
Seja minha morada na poeira que os cobre,
nas dobras de tua pele.
Eis o lugar adequado a um inseto.
Não o incomodarei.
Em minha solidão,
permanecerei eternamente à tua espera.

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