domingo, janeiro 30, 2005

Viver

Tem dias em que parece que o Sol não queria nascer.

Parece que ele gostaria de ficar escondido e chorar.

Chorar por chorar, para não dizer que todo dia ri.

Mas ele deve ver algo muito bonito, e não se contém.

Sai, e sorri para meia Terra, sabendo que a metade

que ficou para o outro lado, no escuro, está só dormindo,

e, dali a um pouquinho só, será iluminada de novo.

É importante pensar como o Sol.

Tem dia que a gente não quer rir, mas, às vezes sem querer,

a gente ri mesmo assim.

Afinal, não tem como segurar a beleza do sorriso,

o poder da alegria,

o vigor da esperança,

a força de quem ama.

Não é uma coisa boba,

mas é feliz.

Tem dia que a gente descobre que perdeu algo.

Depois de chorar um pouco, descobre também que ganhou.

Aprendeu que nem todo dia é dia de ganhar,

mas que alguns são dias de perder.

Saber viver assim é uma boa arte.

É desaprender a ganhar, para depois poder aprender de novo.

Ganhar e perder são a mesma coisa, parte de um joguinho.

Ganha quem souber jogar.

Ganha quem souber brincar.

Acho que é por isso que às crianças pertence o Reino dos Céus...

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