domingo, janeiro 30, 2005

Tempo e Vento

Tempo e vento não são mera rima.

Assim como o vento erode a pedra,

erode o tempo minha alma.

Lapida, paciente, um coração já sulcado,

ferido sem piedade por garras pontiagudas,

pelos dentes cruéis do tempo.

O vento deforma rochas,

arranca lascas pequenas e grandes,

cria contornos que antes não existiam.

O tempo criou sulcos em meu rosto,

criou valas em meu coração.

O lufar cotidiano do tempo mudou minha face.

Nela estão as trilhas das lágrimas que chorei,

as rugas das dores que sofri.

Mais do que o vento,

o tempo cria suas marcas.

Desilusões são os mais abundantes frutos do tempo.

Elas são as cicatrizes na alma do homem,

marcas definitivas da tormenta do existir.

Haverá o dia em que essas marcas desaparecerão.

Hão de ser saradas pela mão afável do Grande Pai,

pelo espetáculo da justiça em toda a Terra.

Quanto mais eu vivo, mais percebo que estou apenas no começo.

Quanto mais ferido, mais anseio o alívio que foi prometido.

Quanto mais forte o vento e violento o tempo, mais bela se torna a bonança.

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