segunda-feira, janeiro 31, 2005

A Semana...

Segunda-feira

Hoje é segunda-feira.

É dia de começar.

Talvez recomeçar.

Mas onde começa

e onde termina o começo?

Como se pode começar

algo que não tem fim?

Como se pode começar

quando se está no fim?

Hoje começa algo.

Se novo, não sei.

Se sólido, não sei.

Se eu virei amanhã, não sei.

Mas se virá o amanhã, isso sei...

Terça-feira

Hoje é terça-feira?

Já nem sei mais que dia é!

Vento nos olhos,

vento no rosto,

vento no coração.

Ardem minhas feridas...

Sararão?

Não numa terça-feira...

Acho que hoje é mesmo terça-feira.

Recuso-me a aceitar o cinza do céu.

Para onde foi o Sol?

Sairei à sua procura,

sempre rumo ao leste.

Hoje é terça-feira.

Amanhã será quarta.

Quarta-feira

Hoje é quarta-feira.

É topo da montanha

ou o fundo do vale?

Parece que começa a vida.

É a vida em flor.

Dia frágil.

Dia de continuar,

de pensar o destino,

de escolher a sorte.

Qual será o próximo passo?

Ilusão?

Ausência?

Liquidificador de dramas e dores,

de sorrisos e cores,

de lágrimas e horrores.

Alço vôo em um sonho feliz.

São meus filhos brincando em meu coração...

Quinta-feira

Quinta-feira.

O dia em que sempre as coisas são mais,

tanto piores quanto melhores.

O dia em que as coisas tomam rumo...

Ou perdem?

Esquecer-me-ei do tempo,

do fluir dos minutos e das horas.

A dor sempre vem,

fantasma iníquo que me amedronta por todos os meus dias.

Volta sempre nas quintas-feiras.

Quinta-feira demora a passar.

Cada grão da ampulheta escorre lento,

gordo, impiedoso, cruel.

Ninguém vê a dor do outro,

ninguém pensa no outro.

(Por acaso ele existe?)

Quinta-feira lenta, abafada, angustiosa,

quando terminarás?

Sexta-feira

Sexta-feira.

É chegado o dia,

é chegada a hora.

Quem sou eu?

O que faço neste pequeno pedaço

de terra e de céu?

Onde estão as respostas?

Sei-me um cisco,

uma ondulação,

por vezes até desnecessária.

Mas estou aqui.

Ainda que incômodo,

estou aqui.

Contudo, mais do que incômodo ,

sou vida, morte,

alegria, tristeza,

sou dia e noite.

Quando se é tudo,

também se é nada.

Sou eu só diante de mim,

diante de tudo e do nada,

deslumbrando-se diante do todo e de nada,

É a minha hora, o meu dia e minha noite.

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