sábado, janeiro 29, 2005

Poesia II

Minha poesia não existe mais.

Ela morreu com minhas esperanças.

Tornou-se cadavérica como meus sonhos.

Estou perdido em meio a muitos desejos que não são meus.

Minha poesia não é mais poesia.

Transformou-se com meu sofrer.

Tornou-se clamor, grito, ofensa.

Já não a escrevo como antes, como água que escorre.

Escrevo-a como se a sangrasse, como se a cada pincelada do estilo deixasse no papel uma gota de sangue.

Minha vida pinqa no papel, tingindo-o e maculando-o.

Derrama-se em palavras tristes e em

por quês sem respostas.

Vivo agora como a bruma que vaga à procura de si mesma.

Vivo como a pedra do rio que rola sem parar na correnteza e vai perdendo pedaços de si pelo caminho.

Não vale a pena reunir os pedaços, uma vez que sou novo e mais.

Na perda de mim eu me ganho.

Desisto da luta e vivo a paz.

Chega de lutar.

Basta viver.

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