domingo, janeiro 30, 2005

Poema Torto

A vida é como um poema torto.

Nela se procura o rigor da métrica,

mas cada frase acaba ficando de um tamanho diferente.

Tenta-se criar rimas, achando que por sua constância o poema se tornará mais genuíno,

mas as palavras nunca se casam, e sua harmonia se faz mais caótica do que nunca.

Tenta-se criar obras perfeitas, apenas para descobrir que a perfeição é uma brincadeira de crianças, apenas para chegar ao fim do poema e descobrir que quem o escreveu não passa de um fantasma que não mais existe.

A vida é como um poema torto,

de beleza crua, selvagem, vibrante.

Não dá para enquadrá-la em moldes ou modelos herméticos e estanques.

Sua direção é absurda, tanto quanto é o coração inconstante.

A poesia flui por onde quer, e não a dirige a pena, mas o vento.

Faço poemas tortos, com versos de pé quebrado, pois sou fluido, sou água.

Poemas que fluem como vida,

que brincam com verdades,

que riem da impermanência das coisas.

Meus poemas são poemas tortos.

Minha vida é um poema torto.

Um comentário:

Arth Silva disse...

Esse poema é do Emir Martins??

Otimo mesmo, muito bom! So fiquei receoso de divulgalo pros amigos das letras pela duvida quanto a autoria!!