domingo, janeiro 30, 2005

Perdido na Noite

Para onde vou?

Se eu sair de casa, para onde vou?

Onde estará meu lugar?

Meu lugar é múltiplo daqueles a quem amo.

Todas as partes se conjuntam num único vértice,

Num único ponto do universo,

Donde escorre um filete de tempo e espaço.

Em tão vasto mundo,

em tão amplo espaço,

Confino-me.

Mas não me contenho.

Transbordo meus limites rasgando minha pele.

A dor que envolve tais mudanças

torna-as amedrontadoras.

Acuo-me aos cantos,

como a criança com medo do escuro.

Fantasmas dançam diante de meus olhos.

Horror.

Sou eu mesmo quem desfila nu,

em puro desespero e perdido.

Sou eu mesmo o fantasma,

Sou eu mesmo quem me assombra.

Sou eu mesmo quem me aterroriza.

A luz ofusca meus olhos,

cega meus juízos.

Apenas ouço vozes e vozes,

confusas, difusas, obtusas.

As vozes e a luz estão em mim.

Só que não as compreendo.

Minha ignorância me tortura.

Não estou capaz de enfrentá-la.

Estarei em breve...

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