domingo, janeiro 30, 2005

Ode à Dor

O cansaço me domina e me derruba.

Levanto-me.

Cair e levantar, dormir, acordar.

Sonhar.

Acordar.

Até quando?

Toda vez que acordo eu me assusto.

Não me acostumo ao acordar.

Deveria antes me acostumar ao dormir com a certeza de acordar.

Para que?

É preciso descansar.

Quando as coisas permanecem, elas não mais se sustentam.

Perdem sua estrutura...

O sono é uma renovação.

Dormindo, a lagarta trasmuda.

A borboleta terá vida curta.

Morrerá pouco depois de acordar.

O homem também tem vida curta, ainda que seja eterno.

Existirá apenas pelo tempo em que

se transformar.

Ao se completar, deverá transformar-se.

Do contrário terá de morrer.

E morrerá.

Agonizará e devorará a si mesmo.

Ó, se eu puder transcender-me,

transfender-me em tantos eus quanto houver dias e noites!

Partido, talvez o sono atinja diferentes partes de mim.

Talvez me permita manter a consciência da correnteza,

da água a bater nas rochas.

Nenhum comentário: