domingo, janeiro 30, 2005

O Voto

Fugidia justiça, bela musa sem olhos:
Onde estás?
Para onde fostes, se é que vieste alguma vez a habitar este solo?
Procurei-te nos que ostentam poder: não a encontrei.
Procurei-te nos que cantam louvores a Deus: lá não estavas.
Procurei-te em meu próprio coração: descobri que sou pequeno demais para ti.
Vi, contudo, rastros de teus pequenos e delicados pés, nas pedras do Gólgota.
Ali o sangue do Inocente foi derramado e pisado.
Sujaste tuas saias, banhaste tuas mãos.
Daí passaste a caminhar por todas as terras com tuas palmas rubras erguidas,
Proclamando inocência a todos os que ouvissem teu chamado.
Choras pelos inocentes que perecem,
Mas sorris pelo livramento propiciado.
Desejo tal livramento.
Desisto de minha busca fútil,
Pois te encontrei a chorar pelas praças das cidades.
Homens e mulheres deixaram de percebê-la.
Hei de não ser mais um dos que lhe magoam.
Hei de não ser outro dos que a desprezam.
Tornei-me odiador dos que a odeiam.
Hei de vindicar-te, hei de proteger-te!
Derramarei meu sangue por ti,
Para que não sejas violada em meus atos.
Hei de resistir à torrente de homens imprestáveis,
Ao lixo humano que se tornaram os que a ti desprezam.
Resistirei até que em mim não haja mais vida,
Ou até o dia da vingança de Deus sobre os que a ti odeiam.
Eis o meu voto a ti, perpetuamente.

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