domingo, janeiro 30, 2005

O Momento

Quando o Sol não nasce,

nem do horizonte se levanta,

Quando também a lua não lume,

mas permanece pálida entre as nuvens da aurora,

o tempo para.

Todos os sons permanecem constantes, imóveis,

numa perpétua atonia.

Assim meus olhos permanecem,

fixos em um inseto,

torpe e agonizante,

mudo diante de sua morte.

Abro meus braços,

tentando conter o mundo.

Mas aqui só cabe o vento,

e o mundo é levado e varrido,

tolhido pela força da tormenta.

Agonia, agonia, sombra e dor.

Findou o tempo, mas não a dor.

Dor de parto, dor de nascer.

Todo nascer é um termo:

morte e vida no mesmo instante,

luz e escuridão no mesmo horizonte.

Esperança? O tempo não passa.

Permanece o momento nu,

despido de dor, movimento ou som.

Calaram-se o céu, o mar, a terra.

Calo-me diante do horizonte.

Abro-me ao universo,

abro meus olhos às estrelas.

Torno-me vento, céu, nuvem,

silêncio e tempestade.

Diante do nada, braços abertos, olhos fechados,

sou semente de paz.

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