domingo, janeiro 30, 2005

O Fim do Dia

Já esgotei o sentido da vida.

Cabe-me agora a morte.

Apenas esperar a morte.

Amarga é a espera.

Antes morresse cedo,

antes morresse já.

Poupado seria de horríveis lembranças,

memórias impronunciáveis,

de atos inefáveis,

que se desvelam perante meus olhos,

como imagens de uma viagem

que nunca termina.

Esgotei também o sentido da morte,

negro buraco, frio,

estéril, ignóbil.

Adormecer não é uma opção,

mas uma necessidade.

Entorpecimento,

inconsciência destituída de sonhos.

Pior do que a morte,

é aquela que não se consome.

Apenas dói, corrói e degenera.

Faz o homem morrer e nascer todo dia

sem que qualquer alívio lhe dê.

Morrer e nascer são a mesma coisa

quando nada se é.

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