domingo, janeiro 30, 2005

O Calabouço II

Volto e revolto a mim mesmo.

Cansado estou de olhar as trilhas circulares em que ando.

Perdido em seus buracos, tropeço nos tufos de grama que crescem ao redor.

Caio, caio, caio, e levanto-me.

Aguardo o dia em que não me levantarei.

Serei esmagado pelo peso da insignificância.

Mosca que aspira às alturas, mas chega apenas aonde o vento quer.

Cansado estou de meus devaneios inúteis.

São sonhos vazios, delírios megalômanos de uma mosca.

Tenho olhos demais, dimensão de menos.

Aguardo o dia em que serei consumido pelo tempo.

Não posso suportar o peso da existência.

Asco, ainda que disfarçado, é o que nutro.

Volto a entregar-me ao calabouço.

É-me familiar, um toque nostálgico com cheiro de mofo.

Aqui sou o rei do horror, o mentor da desgraça.

É assim quando o universo entra em seu ocaso,

E a noite me cobre com o pavor de seu silêncio.

Se a morte me levasse em suas negras asas, que alívio seria!

Fiz minha morada em terras incertas.

Agora pago por minha inércia.

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