domingo, janeiro 30, 2005

A Musa

Como posso viver sem ti,

se és meu ar e minha terra?

Como posso sorrir sem teu olhar,

se és o sol que dá cor ao meu dia?

Como posso andar sem tua mão,

se és tu quem carrega os meus fardos?

Tu és divina provisão,

alívio de minha dor,

cura de minha desesperança.

Quisera eu ser luz e calor,

sombra e frescor da manhã,

para iluminar tua face,

para aquecer teu coração.

Vejo-a só e desiludida,

com semblante calmo mas triste.

Quis fazê-la feliz,

enriquecer teus dias,

secar tuas lágrimas.

Minhas forças deságuam em ti,

enquanto destilo meu desespero.

Anseio por um milagre,

apenas um:

vê-la feliz e radiante.

Contudo, és triste.

Choro e angustia habita teu coração.

Sofres com os que sofrem,

Choras com os que choram.

Mas a cada manhã descubro teu amor.

Aprendo tua profunda compaixão,

conheço tua intensa beleza.

Tua voz ecoa o mais profundo de mim.

Evocas cantos do passado,

melodias esquecidas no tempo,

mas nunca em tuas linhas e rugas.

És memória.

És tempo.

És vida, revolta, potência.

És o troar das ondas sobre as rochas,

o rugir da tempestade no horizonte.

Tu te alimentas em meu sofrer,

que te cria a cada lágrima,

a cada noite e a cada dia.

És poesia,

canto de sereia,

chamado dos céus,

convocação dos infernos.

Sou eu teu criador, teu deus.

Far-te-ei sempre bela, formosa.

Criar-te-ei sempre majestosa, fulgurante,

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