domingo, janeiro 30, 2005

Medo

Tenho medo.

Medo de minha ira.

Meu coração parece duro.

Está com raiva.

Chora.

Chora muito.

Ninguém vê lágrimas.

Como Jó, sento-me em cinzas.

Coço-me com cacos.

Mas esforço-me para não adormecer.

Dopo-me com lírios e cactos.

Alucinações pairam sobre meus olhos.

Por fora, o horror.

Por dentro, medo.

Encolho-me.

Ninguém se importa.

Afastar-me-ei das pessoas.

Buscarei terras altas onde viver.

Fecharei meus olhos às minhas cicatrizes,

ao mal que mora em mim.

Permanecerei no topo,

mirando cidades e caravanas.

Ninguém me verá.

Ninguém notará.

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