quinta-feira, janeiro 27, 2005

Insconstância

Cômica novela de um louco desesperado,

Sem fim nem começo, começa e termina.

Estranha, bizarra mesmo, esta sina!

Mas sei que dela nalgum dia serei livrado.

O dia nasce, trazendo o Sol e sua luz.

Iluminando os recônditos de minha alma,

Meu coração frio se alegra e se acalma.

Devagar o calor tépido da manhã o seduz.

Estar vivo, pensante, é algo muito belo.

Lamento apenas ser tão inconstante,

Dom Quixote e seu branco Rocinante,

Insano e metálico cavaleiro de olho singelo.

O que fazer quando a queda é ascensão?

Para germinar a semente precisa morrer.

Embora agora morra, logo hei de reviver.

Não temo o caminho posto ao meu coração.

Não é este a vereda de um bom poeta?

Nascer a cada linha, morrer a cada estrofe?

Sei que sempre haverá quem dele mofe,

Sem ver que nele mora também o profeta.

Nenhum comentário: