sábado, janeiro 29, 2005

Fatalidade

O sol brilha com a força do verão.

Sua luz ofusca a saudade de quem não mais está aqui.

Como num pesadelo irreal, brancas nuvens flutuam indiferentes às lagrimas de quem chora.

O desespero mistura-se com o suor e o torpor e torna-se pai da loucura.

Insana dor, profunda e incurável ausência, doces lembranças.

O leve toque de mãos, a úmida carícia dos lábios...

Breve banquete de sensações.

Breve despertar da paixão.

Trágico fim da eterna aliança de duas almas.

O início foi puro: a ingenuidade infantil, o sorriso tímido, a aventura.

Depois surgiu a saudade e o fortuito brilho nos olhos.

O amor floresceu em paz e virtude, na quietude das manhãs de domingo.

Desabrochou na ternura da verdade, cresceu com a força da pequena muda que quer tornar-se árvore.

Amor perfeito, cujo alicerce era a força do Verbo do próprio Deus.

Ah! Trágica jornada sem volta!

Inertes no asfalto tão poucas e breves lembranças.

O sangue misturou-se às lágrimas do solitário noivo cuja vida esvai-se por suas feridas abertas.

Os doces sonhos se foram, as noites estreladas sumiram.

A paixão morreu e deixou a tristeza em seu lugar.

Mas a vida prossegue, e esta é só mais uma morte,

só mais uma lápide a ser encoberta pela grama do tempo...

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