domingo, janeiro 30, 2005

Esquecimento

Foi ontem, outro dia mesmo,

que eu me lembrei ... não, que eu aprendi,

que ser humano é não se definir.

Na mesma hora em que me lembro disso, alguma coisa me pergunta

'quem é você?'.

Eu devia perguntar 'o por quê' da questão,

mas tento responder.

Aí não consigo...

Afinal, o que eu sou agora já não é o que eu pensava que era,

nem o que eu pensava ser era de fato eu mesmo.

Quando eu paro para pensar nisso, doem-me os olhos e os ouvidos.

Significa tão pouco o ser! Tão mais importante o estar.

Mas eu me contradigo com facilidade.

Já sei: vou me esquecer.

Quando alguma coisa me perguntar quem eu sou, vou dizer que esqueci.

Ou melhor: vou dizer que sou mesmo o esquecimento.

Sou o criador e destruidor de mundos e desmundos.

Faço e refaço tudo ao destruir o nada.

(Será que alguém me entende?)

Sou e serei sempre a mudança, a inconsistência do ar, a fluidez da água.

De que valem as palavras? Não são elas meras distorções das idéias?

(De novo pergunto: será que alguém me entende?)

Nenhum comentário: