domingo, janeiro 30, 2005

Esperança II

Mais uma vez, mais uma vez:

Explodi-me em mil pedaços.

Queria não estar mais em lugar nenhum,

Mas me encontro e me perco em todos.

Sou apenas dor e lamento,

A lembrança morta e sempre viva de uma criança sorrindo.

Inicio uma morte lenta, sofrida.

Descubro, dia após dia, quais partes de mim morreram contigo.

Representavam a força de vida que me emprestaste quando nasceste.

Antes de ti, era apenas ausência.

Hoje me encontro de novo no vazio,

Aumentado por tua perda.

Foste vida para mim.

E eu, o que fui para ti?

Amei-te o quanto pude amar.

Mas meu amor não morreu contigo,

Nem dorme ele como tu dormes.

Vejo-o mais forte do que nunca,

Completo, pleno de força, rico em esperança e fé em teu retorno.

Vejo-o integralmente, desde teu primeiro choro até teu adeus.

Amo cada palavra e cada silêncio,

Cada sim e cada não,

Cada dor e cada perdão,

O privilégio de viver contigo,

De crescer contigo,

De amar e ser amado por ti.

Quero que o vazio de tua presença seja preenchido

Pela expectativa de nosso encontro,

Pela alegria da esperança que tenho,

De ver novamente teus olhos brilhando,

De ouvir tua oração humilde e compartilhá-la.

Não há fim para este poema,

Assim como não há fim do elo que nos une.

Aguardo.

Apenas aguardo.

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