domingo, janeiro 30, 2005

Entardecer

Um inseto anda sobre minha mão:

Pequeno pedaço de vida,

Gota amarela e negra.

Eu, perdido, tonto, choro

diante da beleza de minha terra.

Aqui sou apenas um inseto,

apenas uma possibilidade transitória.

Voou a pequena gota amarela de minha mão.

Deve ter-se cansado de tão insípido solo,

de tão árido pousio.

Sou uma sombra sem corpo,

apenas uma sombra sem corpo.

Encanta-me tudo o que me rodeia:

Sol, água, céu e terra.

Mas a nada pertenço.

Sou transitório, transitivo transe.

Águas calmas e silenciosas me acariciam,

mas são calmas demais,

silenciosas demais.

Elas me confundem com seu sussurro.

Volto-me ao vento.

Por ele sou levado ao alto.

De repente, ficou tudo azul,

e eu quis que o tempo parasse.

Mas ele não parou, e

meu coração encheu-se de medo.

Comecei a cair, e não parei mais,

até que cheguei ao fundo de mim.

Vi-me como árvore nova

cujas raízes quebram pedras,

como luminosidade que não respeita fresta nem sombra.

Espero agora o Sol raiar novamente.

O Sol sempre raiará novamente.

Nenhum comentário: