quinta-feira, janeiro 27, 2005

Despertar

Hoje, deslumbrei-me com teu amor.

Encantei-me com o som de teu chamar.

Acordei para o brilho de teu sorriso.

Estive a vagar pela terra dos mortos,

Daqueles que não vêem mais sentido no sorrir.

Sou um andarilho de estradas ainda não abertas.

Meu companheiro Rocinante é o único a me acompanhar.

Viajo com tua sombra ao meu lado, meu conforto e minha morte.

Hoje, sorri ao ver o céu azul. Minha alma tingiu-se da cor do céu.

Meus pulmões se encheram do aroma da manhã,

E minha expectativa era reencontrar-te.

Avistei-a ao longe, a mirar o infinito.

Estavas quase desperta, sonhando acordada.

Clamavas por meu nome, chamavas-me ‘amado’.

Iluminavas um vale com tua alegria,

O horizonte resplandecia com teu fulgor.

Ao me ver, fugiste, assustada, meu Deus!

Para onde foste, ó Dulcinéia, onde estás, ó amada?

Que fiz eu, ao despertar-te?

Tolo, pensei poder traze-la ao mundo de meus sonhos,

Pensei poder fazer-te ouvir minha voz.

Volto a vagar pelo caminho das brumas, perdido que sou de mim.

Volto à minha solidão andarilha, ao trilhar do cascalho e da poeira.

Volto ao vão delírio de poder acordar novamente a teu lado ebeijar-te.

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