domingo, janeiro 30, 2005

De Filho para Pai

Eis-me diante de Ti,

Nu, fraco, em frio e fome,

Carregando meus fardos,

sabendo do peso de cada um deles.

Quanto tempo demorei para aprender!

Meus fardos foram maiores do que eu,

mais pesados do que minhas forças.

Estou esmagado como uma estúpida lesma sob o horror de meus pecados.

Só há agora dois caminhos:

vida ou morte.

Mas não serei mais enganado por dores confusas.

Meu agir há de ser notado por Ti.

Quero que sejas meu Pai,

meu Deus.

Não exijo mais nada de Ti.

Apenas que te apiedes de mim.

Meus pedidos não são demandas.

São o que são: pedidos.

Clamores.

Por muito tempo agi como a criança que perdeu o caminho de casa.

Fiz ouvir minha voz clamando por ti,

fiz ouvir minha voz chorando por ti.

Tu me amavas, e eu não sabia.

Mas por que eu não o via,

acreditava que Tu não me querias...

Então eu deveria obrigá-lo a me perceber,

por minha dor,

por minha angústia,

pela mais profunda angústia.

Se Tu não me querias,

haverias de ver minha morte lenta,

haverias de ver minha dor brilhando.

Aí haverias de me perceber.

Não mais o importunarei.

Não mais o envergonharei.

Se Tu és meu pai, hás de me notar!

Se Tu és meu pai, haverás de se ver em mim mesmo,

como filho teu,

como imagem tua.

Hás de te orgulhar de mim.

É tudo o que eu desejo de minha vida:

que Tu te orgulhes de mim.

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