domingo, janeiro 30, 2005

Dante IV

Tornei-me estéril como o deserto,

Vazio como o nada.

Perambulo por sombras do passado,

Vozes silenciosas e olhares mortos.

Fitam-me desde sua inacessibilidade,

porém imóveis e fantasiados.

Em meu íntimo não há mais vida.

Morreu sem porquê.

Sou apenas um fantasma, uma aparição.

Fraco como uma brisa constante,

às vezes incômoda,

às vezes benvinda.

O Sol, o sol! Onde está?

Para onde foi?

Nuvens e céu?

E o chão, esqueci-me do que era:

não existe mais.

Sou somente uma bolha de sabão

que flutua perdida.

Trago comigo o sopro da criança,

mas longe de mim ela agora está.

Solidão, inacessível solidão me consome.

Nem as letras me confortam mais.

Não passam de insetos trágicos,

fantasias de poeta medíocre.

Ilusão, surreal ilusão de uma vida vazia.

Perdoa-me, Pai, perdoa-me.


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