domingo, janeiro 30, 2005

Dante II

Exploro hoje campos negros.

Terra crestada, queimada, árida.

Habitação de demônios e dragões,

Gigantescos vermes e horrendos insetos.

Sou um cisco em seus olhos,

Um distante contrasenso.

Rios de sangue descem dos montes,

nascidos das veias de inocentes.

O rubro céu incrementa o medo.

Sirenes emitem seu canto iníquo,

Enquanto navegantes perecem em seus rochedos assassinos.

O mundo tornou-se vil, horrendo.

Crianças perderam sua inocente virtude,

Velhos não conheceram a sabedoria.

Absurdo original da existência,

Aberração artificial de prazeres sensuais.

Maior do que o mais profundo oceano

É a vergonha do que rejeitou a Deus,

Civilização iníqua, pobre em espírito.

Após tantos séculos de dor,

já não se levanta mais o sol,

e a lua turvou-se em sangue.

A esperança tornou-se lascívia,

Alimento tornou-se lixo.

A que se reduziu o ser humano,

'sombra e imagem de seu Criador'?

Derramou-se sua dignidade nas ruas,

Desperdiçou sua beleza em oferendas inúteis.

No monte mais alto brada um profeta divino.

Clama ele por vingança aos céus,

que lhe respodem com saraiva e tormentas furiosas.

Descem vagas de chuva e torrentes de ira.

Basta de sangue e violência...

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