sábado, janeiro 29, 2005

Coração Pequeno

Tenho um coração pequeno,

do tamanho de um coração de criança.

Há dias, contudo, em que ele amanhece grande.

Nestes dias ele fica sério, pesado como o de alguém crescido e acabado.

Nestes dias, faz-me sentir como alguém próximo ao dia da morte,

alguém que já viveu demais.

Em outros dias, ele acorda despretensioso como o da criança gue desperta sabendo que naquele dia irá ao parque.

Aí ele me ensina a ver o tempo passar e fazer "bi-bi-tchu-tchu,bi-bi-tchu-tchu",

e dar tchau para as vacas que ficaram para trás.

Aí ele me conta histórias sobre reis e princesas,

sobre heróis e dragões,

sobre gênios e tesouros escondidos,

e me faz pensar que eu posso voar.

Aí ele me faz lembrar que cada dia tem o seu próprio céu,

cada qual com sua beleza,

quer seja ela azul, branca, rosa-alaranjada, vermelha ou cinza.

Aí então eu me esqueço da morte que me espera e que me amedronta,

sentimento que tanto pesa num coração crescido!

Aí eu desejo viver e me esquecer dos amores que perdi e das lágrimas que derramei em queridas faces

e que ainda estão nelas.

Meu coração não se cansa.

Vou torná-lo definitivamente infantil.

Ele há de sempre aprender e mudar, assim como a criança.

Hei de respeitá-lo e em sua paz, encontrar a minha.

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