domingo, janeiro 30, 2005

A Ampulheta

Gotejam segundos, minutos, horas.

O tempo escorre lento demais,

silencioso demais.

Não há areia, mas sangue.

Lágrimas.

Cada segundo é assim medido.

Um pulso, uma batida compassada,

enche minhas veias.

Cada gota me faz pensar no bem e no mal,

no belo e no feio,

nos contrários que são e que não são,

no que ficará perpetuamente,

no que aniquilado será perpetuamente.

Faz-me pensar na presente volatilidade da vida,

da alegria,

da paz.

Faz-me lembrar da definitiva transitoriedade da morte,

da tristeza,

da angústia.

A dor não existe,

não há lágrimas em meus olhos,

nem sangra meu coração.

Tudo isso é apenas um sonho mau...

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