terça-feira, dezembro 28, 2004

Sonho II

Sonhos são belos, são puros.

Sonho com o puro ar,

com a água límpida e refrescante sobre a fronte.

A casa arejada e macia, a floresta e a montanha.

A paz seria o travesseiro,

e o cobertor o amor que permeia o Universo.

Nenhum pesadelo nem visões aterradoras do presente,

as que machucam a cada sol que se levanta e se põe.

A presença do belo sonho não faz o dia mais límpido nem mais suave.

O ar ainda é cinza, a criança ainda clama.

A dor ainda existe.

O olho ainda chora.

A expectativa da promessa não é mero sonho,

mas angústia na espera para quem anseia o livramento.

O sonho é real, mas a realidade é um pesadelo sujo de sangue.

Cheio de personagens reais,

débeis escravos do tempo e de vis anseios,

construindo histórias mesquinhas de grandeza

que serão esquecidas como a nuvem que ontem passou.

Aberrações que mudam sem que percebam,

que repentinamente não mais se conhecem,

que repentinamente perdem o senso de direção que nunca tiveram.

No pesadelo não existe chão, mas somente a queda.

Gritos cortam o ar,

lágrimas o umedecem.

Para alguns a queda é o apogeu da existência.

Pobres almas que não viram sua origem

e cujos olhos só contemplam o precipício.

Deixaram de olhar para cima,

deixaram de perceber o porquê de sua queda...

A insensibilidade é a marca de quem deixou de chorar pela dor do irmão.

Esta nada é, nada pesa.

É apenas outra lágrima que rolou da face descarnada de uma criança sem dono.

É apenas o som da morte lenta dos que dormem na lua e nas estrelas.

É apenas o estridente rugir dos irados excluídos por falta de portas.

O sonho há de tornar-se realidade,

e a música harmônica do Universo penetrará em nossos ouvidos, dominará nossas mentes.

Não haverá mais pesadelos,

não haverá os que servem a morte,

não haverá os que fazem a morte.

A realidade será a paz.

O Sol nasce e traz o dia.

O Messias levantou-se e trouxe a luz.

Abrir-se-ão os olhos

e não mais será preciso sonhar...

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