terça-feira, dezembro 28, 2004

Poesia I

É preciso escrever.

É uma compulsão, uma necessidade.

É assim que me sinto vivo.

Nada reflete tanto a arte de viver quanto a poesia.

Ela é como um pequeno espelho a refletir um pedaço da realidade.

Em minhas mãos, ela vai aonde quero.

Direciono seus fachos luminosos para onde meu coração deseja.

Tortuosa como ele ela se torna.

Mutável, ora alegre, ora triste.

Mas sincera e verdadeira.

Não escrevo para agradar a alguém.

A poesia deve ser a dança do espírito, do espírito do poeta.

É o andar da criança, o voar do pássaro.

Não se ensina uma criança o sorrir ou o chorar.

Assim a poesia flui do peito.

Não se ensina um coração a bater.

A poesia não deve ser apenas lida.

Deve ser sentida, vivida, sugada ao âmago da alma.

O poeta ouve a melodiosa harmonia das vozes silenciosas da Criação:

eis a grande obra, a magistral composição!

Com humildade, transforma tal canção mas não toca em sua beleza.

A tempestade tem de ser tempestade

e a calmaria tem de ser calmaria.

Assim cada pedra e cada motivo deve ter sua natureza respeitada.

Cada sentimento canta sua própria canção.

Ah! se cada homem e cada mulher assumissem o que são!

Seriam todos crianças,

e cantariam juntos a beleza da poesia.

Não haveria os que ensinam,

mas somente os que sempre aprendem.

Todos seriam poetas e poetisas,

artistas da expressão da alma.

O coração da criança é um coração de poeta.

Suas impressões do mundo são só dela, e mágicas.

Seu descrevê-las é simples,

e suas palavras não são artificiais.

Quero ser assim.

Quero ser criança, e amar como criança.

Quero ser poeta como a criança.

Nenhum comentário: