terça-feira, dezembro 28, 2004

Fosse eu...

Fosse eu um anjo, veria mais do que vejo.

A verdade seria nua, a poesia seria pura.

O sol não brilharia mais que eu,

Nem a lua seria mais reluzente.

Viajaria bem além das estrelas e quasares.

Conheceria os segredos do universo.

Fosse eu um poeta de verdade, criaria luz das trevas.

Faria o coração mais machucado sarar.

Faria o homem embrutecido chorar.

Derreteria o gelo das almas cativas.

Libertaria as mentes encerradas em calabouços.

Fosse eu um bom pensador, não tatearia em vão.

Apagaria minha luz para poder ver a dos outros.

Aprenderia a amar o estranho e o alheio,

Alimentar-me-ia de conhecimento puro e límpido.

Entenderia o antes, o agora e o depois.

Fosse eu um bom homem, daria minha alma por ti.

Contaria a todas as gerações os quês e os porquês.

Mostraria a todos os povos seu Grandioso Criador.

Seria para eles a personificação do amor.

Seja eu um homem de verdade, mais do que um ser vivente.

Seja eu semelhante aos anjos a serviço do Altíssimo.

Seja eu um bom poeta para tocar teu coração.

Assim sendo, terei certeza, então,

Que minha existência não terá sido em vão.

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